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domingo, 5 de outubro de 2025

PSSD - POST SSRI SEXUAL DISFUNCTION (DISFUNÇÃO SEXUAL PÓS- ISRS)



A PSSD é uma disfunção caracterizada mais comumente por insensibilidade genital, orgasmo fraco ou anorgasmia, perda de libido e disfunção erétil. É uma disfunção sobre a qual se fala muito na Internet, mas se sabe pouco. Não é segredo que medicações que inibim a recaptura de serotonina causam dificuldades sexuais, em graus diversos, em até 80% das pessoas: dificuldades de orgasmo ou anorgasmia, diminuição do desejo sexual ou dificuldades de excitação. Há pessoas que apresentam apenas uma destas alterações e em grau leve e suportável. Muitas vezes, melhoram com o tempo de uso. Outras podem apresentar todos os três efeitos colaterais e assim permanecendo durante todo o tratamento que, como se sabe, pode ser necessário em caráter permanente. Existem técnicas e medicações que podem ajudar a aliviar estes sintomas: aumento do tempo de manobras de excitação antes do ato sexual; estimulação potente, manual ou oral; ou,  no caso de pacientes totalmente estabilizados (e somente por orientação médica), um dia sem medicação ou dois dias com medicação reduzida, anteriormente ao dia da relação sexual ou no próprio dia (certamente, esta opção só permite uma quantidade não muito frequente de relações), acréscimo de bupropiona ou de ciproeptadina (que, no entanto, pode impactar negativamente o tratamento). Porém, numa minoria de casos (não é conhecida a prevalência exata), há indícios de que as dificuldades continua, mesmo após uma eventual suspensão da droga (é por isto que a disfunção se chama "pós-ISRS") e com alguma frequência pessoas procuram tratamento supondo que apresentam este diagnóstico (geralmente, com base em pesquisas online).

Não se sabe ao certo as possíveis causas da PSSD e um aspecto muito importante, antes de se tentar um tratamento, é excluir outras causas possíveis para as queixas. Desta forma, já encontrei vários casos de pessoas que se autodiagnosticaram como apresentando PSSD mas, na verdade, tinham distúrbios hormonais, resíduos depressivos, sintomas ansiosos (por exemplo, dificultando a excitação) ou mesmo uso de outros remédios que poderiam comprometer o desempenho sexual. Assim, sempre que se avalia uma pessoa com esta queixa, deve-e proceder a uma entrevista cuidadosa e, em vários casos, solicitar exames complementares.

Referências bibliográficas

Alfaro KC et al.   Persistent sexual dysfunction after SSRI withdrawal: a scoping review and presentation of 86 cases from the Netherlands  Expert Opin Drug Saf. 20 22 Apr;21(4):553-561. doi: 10.1080/14740338.2022.2007883. Epub 2021 Nov 27.

Bala  A et al. PMID: 28778697 DOI: 10.1016/j.sxmr.2017.07.002   Post-SSRI Sexual Dysfunction: A Literature Review  Sex Med Rev. 2018 Jan;6(1):29-34. doi: 10.1016/j.sxmr.2017.07.002. Epub 2017 Aug 1.

Healy D; Mangin   Post-SSRI sexual dysfunction: barriers to quantifying incidence and prevalence Epidemiol Psychiatr Sci. 2024 Sep 18;33:e40. doi: 10.1017/S2045796024000441

Tarchi L et al.  Selective serotonin reuptake inhibitors, post-treatment sexual dysfunction and persistent genital arousal disorder: A systematic review Pharmacoepidemiol Drug Saf. 2023 Oct;32(10):1053-1067. doi: 10.1002/pds.5653. Epub 2023 Jun 23.


Imagem: SSRI HOW THEY WORK https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c2/SSRI_HOW_THEY_WORK.jpg?20201018045954

sábado, 21 de julho de 2018

É VERDADE QUE EXISTE UM KIT GAY? (1)

O QUE FAZ UMA PESSOA SER HOMOSSEXUAL?

 1a. parte


A palavra "homossexual" foi usada pela primeira vez pelo jornalista e escritor húngaro Karl-Maria Kertbeny (Kertbeny Károly Mária, em húngaro), em 1869, numa carta ao ministro da Justiça prussiano Dr Adoplh Leonhardt, contrapondo-se a uma lei que criminalizava a "sodomia" (1). 




Ilustração 1: Primeira menção à palavra "homossexual".



Kertbeny considerava a homossexualidade apenas uma variação da sexualidade do ser humano. Entretanto, depois dele, vários autores 



Ilustração 2. Karl-Maria Kertbeny.


passaram a tratar a homossexualidade como uma doença e se propuseram a tratá-la. Freud considerou a homossexualidade uma suspensão da evolução sexual e não considerava a possibilidade de tratá-la (2). Apesar disto, psicanalistas posteriores passaram a conceitualizar a homossexualidade como uma evitação fóbica do sexo oposto, condicionada por inadequações dos pais (2) e também se propuseram a tratá-la.

Finalmente, em 1973, a Associação Psiquiátrica Americana retirou a homossexualidade do rol dos transtornos psiquiátricos, porém ainda considerava patológicos casos em que a pessoa tivesse atração por outras do mesmo sexo, mas que sofresse por causa disto e quisesse mudar, denominando-a de "homossexualidade ego-distônica". (2) (Entretanto, tudo sugere que esta "distonia" fosse devida ao sofrimento em função do preconceito social.)

Mas, o que leva uma pessoa a ser homossexual?

Primeiramente, é importante lembrar que não existe A homossexualidade: comportamentos homossexuais podem ocorrer, por exemplo, entre pessoas geralmente heterossexuais, quando privadas de sexo e convivendo apenas com pessoas do mesmo sexo, como em conventos e prisões.

Entretanto, em relação às pessoas que, em condições sem restrição ou coerção preferem predominantemente ter relações afetivas e sexuais com outras do mesmo sexo, têm sido feitas pesquisas em grande quantidade. Os resultados são interessantes, porém ainda não há conclusões definitivas.

No blog de amanhã, vou citar as principais descobertas.




Referências

1. Wikipedia   Karl-Maria Kertbeny   https://en.wikipedia.org/wiki/Karl-Maria_Kertbeny , acessado em 21/07/2018

2. Drescher J Out of DSM: depathologizing homosexuality Behav Sci (Basel). 2015 Dec 4;5(4):565-75. doi: 10.3390/bs5040565. PMID: 26690228



Ilustrações

1. Wikimedia Commons    Erste Nennung der Worte „Monosexual“, „Homosexual“ und „Heterosexual“ in einem Brief vom 6. Mai 1868 aus Hannover   https://de.wikipedia.org/wiki/Karl_Maria_Kertbeny#/media/File:Homosexual.jpg, acessado em 21/07/2018

2. Wikipedia    Portrait photo of Karl Maria Kertbeny, ca. 1865.   https://en.wikipedia.org/wiki/Karl-Maria_Kertbeny#/media/File:Karl_Maria_Kertbeny_(ca_1865).jpg