sexta-feira, 8 de março de 2019

QUEM ESFAQUEOU BOLSONARO É IMPUTÁVEL?



Uma das grandes questões quando ocorre um crime é se o suspeito está ou não em pleno uso de suas faculdades mentais. A resposta a esta questão traz uma série de implicações éticas, legais e práticas. Éticas, porque a noção de culpa está intimamente ligada à possibilidade do livre arbítrio, que está comprometida, na presença de doenças mentais graves; legais, porque a responsabilidade penal também está ligada à capacidade de uma pessoa ser responsabilizada por seus atos; práticas, porque a dela vai depender o tipo de pena aplicada, em caso de condenação

O QUE É O TRANSTORNO DELIRANTE? (LINK)


Imagem: By patrocinio online - YouTube, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=72787395

sexta-feira, 1 de março de 2019

ESTRESSE E BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE

ESTRESSE E BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE


A palavra "estresse" se origina, indiretamente, do latim "stringere", que significa apertar, que deu origem ao termo francês arcaico "estresse" e, posteriormente, ao inglês "stress", aportuguesado como "estresse".(1)
Por volta de 1915, o fisiologista americano Walter Cannon descreveu a reação ao estresse como um comportamento de "fuga ou luta", no qual o organismo de um animal, perante um perigo, preparava-se para fugir ou lutar e, em função disto, sofria várias alterações fisiológicas.(2)
Em 1936, o fisiologista húngaro Hans Selye, por sua vez, descreveu as reações do organismo ao estresse prolongado ("crônico"), na qual havia uma alteração inicial do funcionamento dos órgãos, mas numa segunda fase adaptativa, ele voltava praticamente ao normal. Se o estresse se prolongasse além desta segunda fase, ocorria um esgotamento da capacidade de adaptação e o organismo voltava a apresentar alterações, muitas vezes mais graves e duradouras que na primeira fase. (3,4)
Estressores são todos aqueles estímulos que desencadeiam esta série de reações adaptativas e, frequentemente, envolvem medo ou ansiedade. Assim, traumas graves como estupros, assaltos, grave violência física levam a reações de estresse (estresse pós-traumático)(5), mas formas mais brandas podem ser desencadeadas por rupturas amorosas, início de vida estudantil ou mesmo mudanças de residência.(5)
Quando o estresse se torna muito persistente, pode levar a uma reação de esgotamento que leva o nome de "burnout". Este termo foi usado, neste contexto, pela primeira vez, pelo psicólogo alemão Freudenberger, em 1974. no sentido de "desgastar-se ou ficar exausto por demanda excessiva de energia, força ou recursos” (6).
Não há um consenso sobre quais os sintomas precisos do burnout, mas em geral são listadas manifestações como exaustão, redução do compromisso para com os clientes e o trabalho, sintomas depressivos, agressividade, diminuição da compaixão pelo sofrimento e consequente despersonalização da relação com o paciente (7).
E virtude de sobrecarga de trabalho, dificuldades institucionais (deficiências de organização, falta de colaboração entre membros da equipe, falta de reconhecimento do trabalho), perfeccionismo excessivo e excesso de expectativas em relação a a si mesmo e outros fatores profissionais, muitos profissionais de saúde desenvolvem reações de burnout. Não há números exatos, em função de a definição da síndrome ser diferente, em estudos diferentes. Entretanto, há pesquisas que constatam números como até 85% dos médicos praticantes (8), mais de 50% das nutricionistas (9) e 50% dos farmacêuticos (10) podem desenvolver reações de burnout. Numa grande síntese de estudos em enfermeiros, 38% manifestavam baixo nível no item de realização pessoal, 31% apresentaram alto grau de exaustão emocional e 24% tinham alta pontuação no item "despersonalização" (11).
O burnout leva a sofrimento para o indivíduo, mas é prejudicial também para os pacientes, pois está relacionado a um aumento dos erros médicos (12), falta de paciência e compaixão para com o paciente (13) e diminuição da dedicação ao trabalho (14). Assim, é muito importante que os profissionais de saúde se cuidem. Algumas atividades, tais como exercícios físicos (15) e mindfulness (16) podem combater o burnout. É importante também que as instituições de saúde criem um clima de colaboração e bom relacionamento, para prevenção (17).


Referências bibliográficas:
(1) Harper D Online etymology dictionary (2019) Stresshttps://www.etymonline.com/word/stress , consultado em 03/02/2019
(2)Cannon W D Bodily Changes in Pain, Hunger, Fear, and Rage: An Account of Recent Researches Into the Function of Emotional Excitement (1915) https://books.google.com.br/books…
(3) Selye H A syndrome produced by diverse nocuous agents Nature v. 138, p. 32 (1936)
(4) Selye H Forty years of stress research: principal remaining problems and misconceptions Br Med J v. 1383-92, 1950-https
(5) American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
(6) Freudenberger HJ Staff burn-out J Soc Iss (1974) v. 50, p. 159-6
(7) Kaschka WP; Korczak D; Broich K Burnout: a fashionable diagnosis Dtsch Ärztebl Int (2011) 108(46); p. 781-7
(8) Rotenstein LS, Torre M, Ramos MA, Rosales RC, Guille C, Sen S, Mata DA. Prevalence of Burnout Among Physicians: A Systematic Review. JAMA. 2018 Sep 18;320(11):1131-1150. doi: 10.1001/jama.2018.12777. Review. PMID: 30326495 http://www.scielo.br/pdf/epsic/v14n3/a05v14n3
(9) Gingras J, de Jonge LA, Purdy N. Prevalence of dietitian burnout. J Hum Nutr Diet. 2010 Jun;23(3):238-43. doi: 10.1111/j.1365-277X.2010.01062.x.
(10) Jones GM, Roe NA, Louden L, Tubbs CR. Factors Associated With Burnout Among US Hospital Clinical Pharmacy Practitioners: Results of a Nationwide Pilot Survey. Hosp Pharm. 2017 Dec;52(11):742-751. doi: 10.1177/0018578717732339. Epub 2017 Sep 27 PMID: 29276254
(11) Molina-Praena J, Ramirez-Baena L, Gómez-Urquiza JL, Cañadas GR, De la Fuente EI, Cañadas-De la Fuente GA. Levels of Burnout and Risk Factors in Medical Area Nurses: A Meta-Analytic Study.
Int J Environ Res Public Health. 2018 Dec 10;15(12). pii: E2800. doi: 10.3390/ijerph15122800.
(12) Hall LH, Johnson J, Watt I, Tsipa A, O'Connor DB. Healthcare Staff Wellbeing, Burnout, and Patient Safety: A Systematic Review. PLoS One. 2016 Jul 8;11(7):e0159015. doi: 10.1371/journal.pone.0159015. eCollection 2016. Review.
(13) Sinclair S, Raffin-Bouchal S, Venturato L, Mijovic-Kondejewski J, Smith-MacDonald L. Compassion fatigue: A meta-narrative review of the healthcare literature Int J Nurs Stud. 2017 Apr;69:9-24. doi: 10.1016/j.ijnurstu.2017.01.003. Epub 2017 Jan 12. Review. PMID: 28119163
(14) Dewa CS; Loong D; Bonato S; Thanh NX; Jacobs Ph How does burnout affect physician productivity? A systematic literature review BMC Servi Res 2014 (10p.)
(15) Naczenski LM, Vries JD, Hooff MLMV, Kompier MAJ. Systematic review of the association between physical activity and burnout. J Occup Health. 2017 Nov 25;59(6):477-494. doi: 10.1539/joh.17-0050-RA. Epub 2017 Oct 7. Review
(16) Gilmartin H, Goyal A, Hamati MC, Mann J, Saint S, Chopra V. Brief Mindfulness Practices for Healthcare Providers - A Systematic Literature Review. Am J Med. 2017 Oct;130(10):1219.e1-1219.e17. doi: 10.1016/j.amjmed.2017.05.041. Epub 2017 Jul 4. Review. PMID: 28687263
(17) Bronkhorst B, Tummers L, Steijn B, Vijverberg D. Organizational climate and employee mental health outcomes: A systematic review of studies in health care organizations. Health Care Manage Rev. 2015 Jul-Sep;40(3):254-71. doi: 10.1097/HMR.0000000000000026. Review.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

QUAL A DROGA MAIS ASSOCIADA AO COMPORTAMENTO SUICIDA?





Fala-se muito, na imprensa, sobre a violência relacionada ao uso e tráfico de drogas ilícitas, mas se fala menos da droga que mais frequentemente se associa a comportamentos violentos: até 30% dos suicídios estão associados ao seu uso (clique aqui para ler mais) 

Ilustração: By Édouard Manet - The Yorck Project (2002) 10.000 Meisterwerke der Malerei (DVD-ROM), distributed by DIRECTMEDIA Publishing GmbH. ISBN: 3936122202.Data source: "Le Suicidé: Édouard Manet’s Modern Crucifixion", Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=154447

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O QUE É EMPATIA?


O QUE É EMPATIA?





O termo “empatia” se origina do grego antigo, do radical “path”, indicando “sofrer, sentir"(1). Historicamente, sua origem é controversa, sendo atribuída a uma tradução do termo alemão “Einfühlung”, derivado do verbo “einfühlen”, traduzível aproximadamente como “sentir para dentro” (de algo) (2).
Modernamente, o termo também tem várias acepções, mas basicamente engloba um aspecto cognitivo, relacionado à capacidade de compreender o significado do que se passa psicologicamente com a outra pessoa e um afetivo, relacionado à capacidade de perceber as emoções do outro (3), apesar de não as sentir diretamente.
Estudos científicos sugerem que, no cérebro, as áreas relacionadas à empatia estão também relacionadas aos cuidados maternos e à percepção do sofrimento do filhote (4). As pesquisas também mostram que a capacidade de empatia ocorre não só em seres humanos, mas também em outros mamíferos como macacos e roedores e mesmo aves (4,5).
A empatia constitui uma vantagem, na evolução das espécies, possivelmente porque se os indivíduos de uma espécie apresentarem empatia com grande frequência, se ajudarão uns aos outros e, assim, aumentam a probabilidade de sobrevida e de reprodução (6)



Referências

1. Wikipedia (2018)  Empathie https://de.wikipedia.org/wiki/Empathie#cite_note-7 , consultado em 14/10/2018

2. Wikipedia  (2018)  Hermann Lotze  https://de.wikipedia.org/wiki/Hermann_Lotze , consultado em 14/10/2018
4. Panksepp J; Biven L    The archaeology of mind  - neuroevolutionary origins of human emotion    (2013)  WW Norton Company, London, RU   (Kindle Ed., 2013)
5. Panksepp J, Panksepp JB    Toward a cross-species understanding of empathy    Trends Neurosci. 2013; v.36  p. 489–96.
6. Singer P    The expanding circle   - ethics, Evolution and moral progress    Princeton University Press (1981), Oxfordshire, RU. (Kindle ed., 2011)


Ilustração: By Louis Le Nain - The Yorck Project (2002) 10.000 Meisterwerke der Malerei (DVD-ROM), distributed by DIRECTMEDIA Publishing GmbH. ISBN: 3936122202., Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=153723 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

VOCÊ SE SENTE HÁ MUITO TEMPO NO FUNDO DO POÇO?




DEPRESSÃO

Trinta por cento das pessoas vão ter depressão pelo menos uma vez na vida e dez por cento terão quadros graves.


Depressão não é tristeza. Tristes, todos ficamos algumas (ou muitas) vezes, na vida. É normal. Faz parte da existência humana.

Depressão não é "fossa" por ter perdido o namorado ou a namorada.

Depressão não é preguiça, nem falta do que fazer: há pessoas intensamente deprimidas e que, com muito custo, continuam trabalhando, estudando, fazendo tudo - até mesmo contando piadas! É a necessidade de sobrevivência, a face que mostram para a sociedade. Mas, por dentro, sentem-se terrivelmente mal e têm pensamentos profundamente tristes e pessimistas.

Assim, falar sobre depressão é sempre importante, para estimular as pessoas a procurarem tratamento e, sobretudo, tirar o preconceito que alguns ainda tem de que depressão é preguiça ou falta de força de vontade ou coisa de pessoas que não tem o que fazer.

Na entrevista abaixo, dou alguns esclarecimentos sobre depressão:




Ilustração: By Leroy Allen Skalstad - Own work, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=7776402

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

terça-feira, 21 de agosto de 2018

TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA DE MACONHA - ÚLTIMA PARTE


TRATAMENTO DO TRANSTORNO DE USO DE CANNABIS - ÚLTIMA PARTE


Frequentemente, as pessoas que procuram tratamento para o uso de maconha não tem certeza se é isso mesmo que querem, se devem se tratar ou se, na verdade, seu uso não está causando problemas. Outras vezes, usuários decidem parar de usar mas, em algum momento, passam a ter dúvidas de se é este mesmo o caminho. Este tipo de oscilações é normal, principalmente naqueles casos onde não houve grandes prejuízos pelo uso.

Ao contrário da família, que até pode pressionar para que a pessoa se trate, o terapeuta não tem este direito e nem isto é aconselhável. Nestes casos, pode-se lançar mão das técnicas motivacionais. Veja como isto funciona em meu vídeo sobre TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA DE MACONHA - ÚLTIMA PARTE.

TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA DE MACONHA - ÚLTIMA PARTE



Ilustração:

Folha de maconha: https://pixabay.com/pt/can%C3%A1bis-c%C3%A2nhamo-folha-maconha-1254745/ (atribuição não requerida), acessado em 12/08/2018